quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cartel de SP: PSDB imita PT e se finge de cego
 
Josias de Souza



Num instante em que o petrolão derrete feito bala de açúcar no bico de oradores tucanos, a Polícia Federal fechou a conta do inquérito do cartel do metrô e dos trens de São Paulo: 33 indiciados. Entre eles agentes públicos, executivos de grandes empresas, lobistas e assemelhados.
Pesam-lhes sobre os ombros acusações variadas: corrupção ativa e passiva, formação de cartel, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, os crimes foram praticados durante dez anos, de 1998 a 2008. Desviaram-se R$ 834 milhões. E ninguém notou!
Repetindo: a roubalheira atravessou três governos tucanos —Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra— e ninguém percebeu! As fraudes só vieram à luz por conta de um fio de meada puxado numa investigação na Suíça e um acordo de colaboração firmado pela Siemens no Brasil.
Em matéria de corrupção, os tucanos sofrem da mesma moléstia que acomete os petistas: cegueira. Assim como Lula não sabia que o mensalão fluía sob suas barbas e Dilma não sabia que PT e aliados prospectavam propinas na Petrobras, Serra e Alckmin jamais souberam das fraudes que descarrilavam as licitações metroferroviárias.
Fica-se com a impressão de que o principal problema do país não é ético, mas oftalmológico. A falta de bons oculistas atordoa os brasileiros. Não bastasse ter de decidir se prefere o papel de cínico ou o de bobo, o contribuinte é assaltado (ops!) por uma segunda dúvida: o que é pior, os corruptos capazes de tudo ou os governantes incapazes de todo?
De concreto, por ora, apenas uma evidência: em terra de cego, quem tem um olho não diz que os reis estão nus.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Homem de US$ 100 milhões da Petrobras encabeça subornos

Sergio Moraes/Reuters
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
Sede da Petrobras: depoimento de Barusco ameaça implicar mais pessoas no escândalo
 
Sabrina Valle, da Bloomberg

Rio de Janeiro - O maior escândalo de lavagem de dinheiro e corrupção do Brasil acaba de ser ampliado com o compromisso de um alto executivo de devolver US$ 100 milhões e testemunhar contra os colegas, como seu ex-chefe na Petrobras.
Pedro Barusco, um executivo do terceiro escalão que reportou ao chefe da divisão de engenharia até 2010, entrou em contato com o Ministério Público Federal e confessou ter aceitado subornos de construtoras, segundo o texto de uma decisão de 18 de novembro de um juiz para ordenar a prisão preventiva do ex-chefe de Barusco.
O executivo também recebeu dinheiro da SBM Offshore NV, a fornecedora de plataformas de petróleo holandesa, disse uma fonte com conhecimento direto da investigação, que pediu anonimato porque a informação é confidencial.
O depoimento de Barusco ameaça implicar mais pessoas no escândalo à medida que os procuradores investigarem a origem de sua fortuna, acusada de ser ilícita.
A direção da Petrobras vem lidando com a crise em um momento em que sofre para cumprir as metas de produção e no qual o setor está se ajustando aos preços mais baixos do petróleo desde 2009. Isso tem colocado a presidente Dilma Rousseff, que foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras de 2003 a 2010, na defensiva após ela conseguir se reeleger por uma margem apertada, em outubro.
Renato Duque, o ex-diretor da Petrobras para quem Barusco reportava, nega qualquer participação no esquema de superfaturamento e suborno, disseram seus advogados em um comunicado enviado por e-mail. A advogada de Barusco, Beatriz Catta Preta, preferiu não comentar quando contatada por telefone, em São Paulo. A Petrobras não comentou, quando contatada por telefone e e-mail. Dilma disse, no dia 8 de setembro, que não sabia da corrupção na Petrobras quando era presidente do conselho.
Teori Zavascki, um juiz do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar Duque dizendo que ele pode esperar pelo julgamento em liberdade. O juiz federal Sérgio Moro, que preside o caso de lavagem de dinheiro e corrupção conhecido como Lava Jato em Curitiba, Brasil, disse na decisão de 18 de novembro que estendeu a detenção de Duque porque ele possui uma grande quantidade de dinheiro ilícito em contas bancárias e que claramente não estava disposto a obedecer à lei.
Ameaça a projetos
Barusco ofereceu devolver ao país a maior quantia da história vinda de uma única pessoa, segundo o escritório da procuradoria que trabalha no caso. É três vezes mais do que o montante acordado pelo ex-diretor de refino Paulo Roberto Costa, uma das principais figuras, até o momento, na investigação de lavagem de dinheiro e corrupção de R$ 10 bilhões (US$ 3,9 bilhões), chamada Lava Jato.
A investigação também ameaça paralisar projetos de infraestrutura nos quais as empreiteiras da Petrobras estão envolvidas, como represas e rodovias, e neutralizar os esforços de Dilma para reanimar a maior economia da América Latina. A economia do Rio de Janeiro será prejudicada porque uma apuração adicional aos contratos desacelera os investimentos, disse Julio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro. A Fitch Ratings Ltd. atribuiu observação negativa a todas as empresas da indústria pesada do país até que haja clareza a respeito dos resultados da investigação.
“O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas”, disse Costa a parlamentares, em uma audiência ontem em Brasília. “Às vezes você entra em um processo e não tem como sair”.
Auditoria sobre navio-sonda
O advogado de Costa, João Mestieri, não respondeu a um e-mail em busca de comentário. Costa disse que se arrepende de ter sido promovido por meio de conexões políticas e durante a audiência no Congresso preferiu não comentar a respeito de subornos específicos.
Barusco deixou a petroleira estatal em 2010 e se tornou diretor da Sete Brasil, que ganhou mais de US$ 25 bilhões em contratos para fornecer navios-sonda à Petrobras, a maior produtora em águas com mais de 300 metros de profundidade.
Ele deixou a Sete Brasil em 2013 por motivos de saúde, disse a empresa em uma resposta a perguntas, por e-mail. A Sete disse que está auditando contratos de navios-sonda para identificar qualquer possível irregularidade.
Barusco, 58, tem uma casa em um dos bairros mais exclusivos do Rio de Janeiro, com vista para a praia de Joatinga, informou o jornal Folha de S. Paulo no dia 22 de novembro.
Ele entrou em contato com as autoridades há cerca de um mês depois que seu nome começou a aparecer nas investigações e concordou em colaborar, disse a fonte com conhecimento do caso. Duque, seu ex-chefe na divisão de engenharia, foi preso no mês passado juntamente com executivos de algumas das maiores empresas construtoras do Brasil com as quais os ex-executivos da Petrobras negociaram acordos multibilionários. As mesmas construtoras foram grandes contribuintes da campanha de Dilma.
Nova janela
Dilma disse antes e depois da eleição que seu governo fez mais do que os anteriores para combater a corrupção. Ela afirmou no dia 16 de novembro que a maioria dos funcionários da Petrobras é honesta e que o episódio “acabará com a impunidade” e mudará o Brasil para melhor. Sua assessoria de imprensa preferiu não realizar comentários adicionais, em uma resposta enviada por e-mail.
Barusco oferece aos investigadores uma nova janela dentro da rede de empresas industriais que, segundo depoimentos de pelo menos outros quatro suspeitos, incluídos em documentos judiciais, operavam um cartel para cobrar tarifas infladas dos maiores contratos do Brasil, não envolvendo apenas a Petrobras.
Os fornecedores, em seguida, supostamente subornavam funcionários e uma parte era distribuída aos partidos da base aliada de Dilma que tinham o poder de nomear diretores da Petrobras, segundo o depoimento de Costa, gravado em vídeo. Os partidos da base aliada negaram as acusações de Costa e não responderam a e-mails em busca de comentários adicionais
US$ 22 mi
Costa disse que os políticos tinham influência direta na nomeação da equipe de gestão. José Dirceu, chefe de gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez lobby para tornar Duque diretor, disse Costa, em depoimento, no dia 8 de outubro. Os advogados de Duque negaram as acusações e disseram que o executivo se reuniu com Dirceu em 2003, depois de ele ter sido promovido, segundo comunicado enviado por e-mail à Bloomberg.
O escândalo também se espalhou para os fornecedores internacionais da Petrobras. Barusco disse que US$ 22 milhões do dinheiro que ele planeja devolver vieram da locatária de plataformas SBM Offshore, segundo a fonte ligada à investigação que pediu anonimato porque a informação é confidencial. A SBM preferiu não comentar, em resposta enviada por e-mail. O jornal O Globo informou a respeito do suposto suborno da SBM no dia 22 de novembro, citando uma fonte com conhecimento da investigação.
"O jogo"
A fortuna de Barusco, que ele construiu ao longo de mais de duas décadas na Petrobras, é mantida em países como Suíça e Uruguai, segundo documentos do processo.
A SBM disse, em um comunicado de 12 de novembro, que concordou em pagar ao escritório da promotoria dos Países Baixos US$ 240 milhões para resolver um caso de pagamentos indevidos na África e no Brasil.
Dois executivos da empreiteira Toyo Setal Empreendimentos Ltda., que estão colaborando com as autoridades com esperanças de terem a pena reduzida, detalharam os subornos que pagaram a Barusco e a Duque, segundo documentos do processo.
Nos documentos, Júlio Camargo e Augusto Mendonça, executivos da Toyo, mencionam pelo menos nove grandes contratos da Petrobras, alguns superando US$ 10 bilhões. Camargo disse que um dos subornos que ele pagou foi de US$ 12 milhões a Barusco e a Duque para construir um grande componente, conhecido como unidade de coque, na refinaria Repar, no sul do Brasil.
“Era parte do jogo” e todos sabiam, disse Camargo, segundo documentos do processo.
"Extremamente cauteloso"
Camargo disse que nunca entregou dinheiro diretamente a Duque porque o ex-diretor era “extremamente cauteloso”. Ele teria depositado dinheiro em contas no exterior e um doleiro clandestino teria entregue dinheiro a Duque e a Barusco por meio de intermediários, segundo documentos do processo.
Toyo Setal não respondeu a um e-mail em busca de comentários. As tentativas de contatar Camargo e Mendonça por telefone não foram bem-sucedidas.
Barusco, Camargo e Mendonça ressaltam os esforços dos investigadores para conseguir colaboração de suspeitos em troca da possibilidade de obterem clemência. Os informantes precisam fundamentar suas declarações com documentos e contas bancárias e estão sujeitos a processos judiciais se a informação for imprecisa, disse o juiz Sérgio Moro, que preside o caso, em documentos do processo.
“Eles não apenas relatam os fatos, mas também identificam contas bancárias, datas de transações, locais de encontros”, escreveram três procuradores em um documento do processo com data de 7 de novembro, em referência a executivos da Toyo Setal. “Eles provam todos os fatos em seus depoimentos”.
"Clube VIP"
Mendonça se referiu ao grupo de construtoras como “o clube VIP” que pagava subornos a intermediários como Alberto Youssef, que confessou o crime de lavagem de dinheiro e que agiu como uma espécie de banqueiro conectando empresas e políticos. Youssef disse que as empreiteiras combinavam a escolha dos vencedores antes de leilões públicos.
O grupo teria entregue uma lista de participantes dos contratos da Petrobras, que incluiria o vencedor, com antecipação a Costa, disse Youssef. Costa confirmou o esquema em depoimentos gravados em vídeo que fazem parte do arquivo do processo e que também estão disponíveis no YouTube.
A “participação ativa” de Barusco e Duque em atividades criminais é “inquestionável”, disseram no dia 17 de novembro três promotores em uma recomendação para uma ação criminal.
A investigação já conduziu à prisão de pelo menos 27 pessoas para interrogatório sobre negócios relacionados à Petrobras, incluindo altos executivos de empresas construtoras, em um país que não está acostumado a ver homens de negócios ricos serem colocados em prisão preventiva.
“Esse é o maior escândalo de corrupção do Brasil e tocou pela primeira vez pessoas que até agora eram consideradas acima de qualquer suspeita”, disse o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, em entrevista, em Curitiba.

Tópicos: Corrupção, Escândalos, Fraudes, Crime no Brasil , Lavagem de dinheiro, Petrobras, Empresas, Capitalização da Petrobras, Estatais brasileiras, Petróleo, gás e combustíveis, Empresas brasileiras, Empresas estatais, Empresas abertas, Indústria do petróleo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A Entregadoria-Geral da União

26/11/2014 10:01
Por Leandro Mazzini - de Brasília

Congresso Nacional
Congresso Nacional
O  País  já  tem  instituições  consolidadas  como  a  Advocacia  Geral  da  União,  a Controladoria  (CGU),  a  Procuradoria  (PDR) entre  outras,  e  com o trator  da  Justiça Federal e da PF na Operação Lava Jato o Brasil ganhará a Entregadoria-Geral da União. Resume-se num cenário inédito: Os advogados de todos os detidos na recente fase da Lava Jato negociam a delação premiada de seus clientes. Com lobistas e empreiteiros nalista, será um salve-se quem puder no Congresso Nacional e Assembleias Legislativas: A lista atual de 70 parlamentares propinas subirá para mais de 200.

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Com Equipe DF e SP

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Lava Jato cumpre mandados de prisão; veja a lista com os nomes

Polícia Federal já prendeu 18 pessoas por esquema de corrupção na Petrobras
Estadão Conteúdo

Em nova fase da operação Lava-Jato, a PF (Polícia Federal) prendeu na manhã desta sexta-feira (14) o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e outras 17 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$10 bilhões.

Na sétima etapa da Lava Jato, a PF também prendeu executivos e fez buscas e apreensão em sete das maiores empreiteiras do País, apontadas como o braço financeiro de um esquema de corrupção na estatal. Veja os mandados de prisão decretados pela Justiça Federal.

Prisão preventiva: 

1. EDUARDO HERMELINO LEITE, Diretor Vice-Presidente da Camargo Correa S.A., São Paulo

2. JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI, funcionário da Construtora OAS em São Paulo

3. AGENOR FRANKLIN MAGALHAES MEDEIROS, Diretor-Presidente da Área Internacional da Construtora OAS S.A, São Paulo

4. SERGIO CUNHA MENDES, Diretor Vice-Presidente Executivo da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A, Brasília

5. GERSON DE MELLO ALMADA, Vice-Presidente da Engevix Engenharia S.A., São Paulo

6. ERTON MEDEIROS FONSECA, Diretor Presidente da Divisão de Engenharia Industrial da empresa Galvão Engenharia S.A., São Paulo

Prisão temporária:

1. JOÃO RICARDO AULER, Presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Correa S.A, São Paulo

2. MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA (OAS), São Paulo

3. ALEXANDRE PORTELA BARBOSA (OAS), Advogado da Construtora OAS, São Paulo

4. EDNALDO ALVES DA SILVA (UTC), São Paulo

5. CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO, Diretor Técnico da Engevix Engenharia S/A, Osasco/SP

6. NEWTON PRADO JUNIOR, Diretor Técnico da Engevix Engenharia S/A, Santos/SP

7. DALTON SANTOS AVANCINI, Diretor-Presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações S.A., São Paulo

8. OTTO GARRIDO SPARENBERG, Diretor de Operações da IESA ÓLEO & GÁS S.A., Rio de Janeiro

9. VALDIR LIMA CARREIRO, Diretor Presidente da IESA ÓLEO & GÁS S.A., Pinhais/PR

10. JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO, Rio de Janeiro

11. ADARICO NEGROMONTE FILHO, São Paulo

12. JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO, presidente da OAS, São Paulo

13. RICARDO RIBEIRO PESSOA, presidente da UTC Participações S.A., São Paulo

14. WALMIR PINHEIRO SANTANA, responsável pela UTC Participações S.A., São Paulo

15. CARLOS ALBERTO DA COSTA SILVA, São Paulo

16. OTHON ZANOIDE DE MORAES FILHO, Diretor-geral de desenvolvimento comercial da Vital Engenharia, empresa do Grupo Queiroz Galvão, Rio de Janeiro

17. ILDEFONSO COLARES FILHO, Diretor-Presidente da Construtora Queiroz Galvão S.A, Rio de Janeiro

18. RENATO DE SOUZA DUQUE, Rio de Janeiro

19. FERNANDO ANTONIO FALCÃO SOARES, Rio de Janeiro

Investigados que sofreram bloqueios bancários:

1) Eduardo Hermelino Leite

2) Dalton dos Santos Avancini

3) João Ricardo Auler

4) José Ricardo Nogueira Breghirolli

5) José Aldemário Pinheiro Filho

6) Agenor Franklin Magalhaes Medeiros

7) Ricardo Ribeiro Pessoa

8) Walmir Pinheiro Santana

9) Sérgio Cunha Mendes

10) Gerson de Mello Almada

11) Othon Zanoide de Moraes Filho

12) Ildefonso Colares Filho

13) Valdir Lima Carreiro

14) Erton Medeiros Fonseca

15) Fernando Antonio Falcão Soares

16) Renato de Souza Duque

Mandados de condução coercitiva (foram levados para prestar esclarecimentos, mas não ficaram presos): 

1) Edmundo Trujillo, diretor do Consórcio Nacional Camargo Correa

2) Pedro Morollo Junior, engenheiro civil, OAS

3) Fernando Augusto Stremel Andrade, engenheiro civil, OAS

4) Angelo Alves Mendes, diretor vice-presidente da Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A

5) Rogério Cunha de Olliveira, diretor da Área de Óleo e Gás -(ANOG) da Mendes Júnior Trading e Engenharia

6) Flávio Motta Pinheiro, diretor Administrativo e Financeiro da MENDESPREV – Sociedade Previdenciária

7) Cristiano Kok, presidente da Engevix Engenharia S/A.

8) Marice Correa de Lima, cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

9) Luiz Roberto Pereira

  • Espalhe por aí:

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Justiça de SP decide afastar Robson Marinho do TCE

Ex-secretário tucano, Robson Marinho é acusado de ter recebido propina da Alstom

 





Após seis anos de investigação, a Justiça determinou o afastamento de Robson Marinho do cargo de conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) em razão da suspeita de que ele tenha recebido propina da multinacional francesa Alstom.
A juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da capital, concedeu medida liminar para tirar imediatamente Marinho do posto após o Ministério Público apontar que ele ajudou a Alstom a conseguir um contrato sem licitação com estatais do setor de energia de São Paulo em 1998, no governo de Mário Covas (PSDB).
Marinho é o acusado mais graduado no caso Alstom. Ele foi um dos fundadores do PSDB e foi o principal secretário de Covas de janeiro de 1995 a abril de 1997, ao ocupar a chefia da Casa Civil. Ele deixou o governo para assumir o cargo no TCE.
A defesa de Marinho apresentou manifestação na qual rebate as acusações da Promotoria, mas a magistrada considerou que os argumentos não derrubam as provas vindas da Suíça e da França sobre as movimentações do conselheiro no exterior.
 
PROVAS SUÍÇAS
A Suíça, que investigou a Alstom porque um banco daquele país foi usado para a distribuição do suborno, bloqueou uma conta atribuída a Marinho naquele país. Em julho de 2013, o saldo dela era de US$ 3 milhões (R$ 6,7 milhões, atualmente).
O conselheiro sempre negou ter conta na Suíça e refuta acusação de que tenha beneficiado a Alstom.
A Folha revelou no último dia 16 que Marinho usou empresas em dois paraísos fiscais para tentar ocultar que era o dono dessa conta.
Os suíços enviaram até o cartão com a assinatura de Marinho no dia da abertura da conta, em 10 de março de 1998. A mulher de Marinho também assina o cartão.
Para a juíza, os indícios contra o conselheiro não permitem que ele continue no cargo, cuja função é zelar pelas contas públicas.

Cabe recurso contra a liminar ao Tribunal de Justiça.
Uma das principais provas apresentadas pelo Ministério Público no caso é uma comunicação interna da Alstom obtida por autoridades francesas e suíças e enviada à Promotoria por meio de cooperação jurídica internacional.
O manuscrito com data de outubro de 1997 trata da negociação de um contrato com as estatais Eletropaulo e EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia).
A explicação sobre um dos valores diz o seguinte: "Trata-se da remuneração para o poder político existente. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (R.M.)". A partir de depoimentos de ex-diretores da Alstom, a promotoria diz que "R.M." é Robson Marinho.
Segundo papel encontrado por autoridades estrangeiras, a propina serviria para cobrir "as finanças do partido", " o Tribunal de Contas" e "a Secretaria de Energia".
O contrato mencionado na nota foi fechado seis meses depois, em abril de 1998, sem licitação, por R$ 281 milhões, em valores atualizados.
Em janeiro deste ano, a Folha revelou um depoimento de um ex-diretor do grupo Alstom à Justiça da Suíça, no qual ele admitiu que a multinacional pagou propinas a agentes públicos brasileiros.
A soma dos subornos corresponde a 15% do valor do contrato, segundo o executivo, o que equivale a R$ 27,15 milhões, em valor corrente.